Aplicar a bosta em corno: modo de uso, quantidade e o momento certo
Quando se pulveriza a bosta em corno (500) — primavera e outono, solo quente e húmido, à tarde até ao anoitecer. Quantidades, culturas e frequência de aplicação.
A bosta em corno (500) é, a par da sílica em corno (501), o preparado de campo mais importante no cultivo biodinâmico. Ajuda as culturas arvenses, as hortícolas, os prados, a vinha e os pomares a absorver do solo nutrientes e água, e atua sobre a vida do solo. Para que o faça, o momento é decisivo. Este artigo explica quando se aplica a bosta em corno — conforme a estação, o estado do solo, a hora do dia e o ritmo da Lua.
A melhor estação: primavera e outono
A bosta em corno aplica-se sobretudo na primavera e no outono — sempre que o solo está quente e ao mesmo tempo húmido. Esta condição do solo é mais importante do que qualquer outra regra.
Na primavera, o preparado pulveriza-se no início da vegetação: videiras, árvores de fruto e arbustos pouco antes ou mesmo no abrolhamento, sobre o solo, o tronco e a copa. Prados e cereais de inverno, assim que se possa entrar com máquinas nas parcelas. Culturas de verão na sementeira ou na plantação. As áreas de hortícolas tratam-se uma vez por inteiro no início do ano; seguem-se outras pulverizações nas datas de sementeira e plantação mais importantes.
No outono, no fim do período vegetativo, quando o solo ainda está quente e de novo húmido, volta a pulverizar-se: cereais de inverno e culturas intercalares na sementeira, videiras e fruteiras logo a seguir à colheita. Os prados podem tratar-se depois de cada corte; especialmente importante é a pulverização depois do último corte, que leva a parcela de forma equilibrada para o repouso de inverno. O mesmo vale para as pastagens depois de os animais saírem.
Hora do dia e tempo
A bosta em corno pulveriza-se à tarde e ao anoitecer, de preferência com céu encoberto. Devem evitar-se as horas quentes do meio-dia, bem como os dias de vento seco ou frio. Eckard von Wistinghausen descreve o preparado como aplicado sobre o solo mexido, acabado de trabalhar ou coberto de vegetação — no início da primavera o mais cedo possível, com tempo propício ao crescimento.
O ritmo da Lua como camada adicional
A tradição coloca a bosta em corno de preferência na Lua descendente ou minguante — ou seja, no impulso do solo, em que as forças de crescimento se recolhem mais para a zona das raízes. Este enquadramento faz sentido, mas é secundário: Pierre Masson aconselha expressamente a não interpretar de forma demasiado rígida o calendário lunar dos preparados, porque os períodos realmente adequados são curtos. Quem espera pela janela lunar ideal e com isso perde o solo quente e húmido não ganhou nada. O estado do solo e o tempo vêm antes do calendário. O guia Dias de sementeira e zodíaco aprofunda como os dois ritmos da Lua se conjugam.
Quantidades e aplicação
Segundo Masson, por hectare dinamizam-se cerca de 100 g de bosta em corno em 30 a 35 l de água; na horta familiar são cerca de 10 a 20 g em 5 a 10 l. O preparado é dinamizado durante uma hora e aplicado, de preferência, no prazo de duas a três horas — os pormenores estão no artigo Dinamizar os preparados. Como aplicação adicional, Masson recomenda juntar bosta em corno aos banhos de raízes em que se mergulham as plantas antes da plantação.
Com seca e calor
Nos verões secos e quentes, a bosta em corno ajuda as plantas a lidar com o esforço e a não entrar tão depressa em stress hídrico. Uma prática comprovada em secas extremas: pulverizar bosta em corno ao anoitecer e sílica em corno na manhã seguinte, para estimular o crescimento. A prática detalhada em período de seca foi descrita por Walter Stappung.
Sem exageros
A aplicação duas vezes por ano — primavera e outono — é o padrão. Na fase de conversão para a agricultura biodinâmica, a bosta em corno pode ser aplicada também três a quatro vezes, porque o solo ainda se está a ajustar. Na horticultura usa-se com mais frequência, para responder às necessidades de cada cultura.
Uma aplicação demasiado frequente — cinco vezes ou mais — é considerada arriscada: a planta pode ficar mais sensível a doenças e a capacidade de conservação da colheita pode sofrer. Por isso, a bosta em corno vem sempre acompanhada da sílica em corno 501. Os dois preparados atuam como antagonistas em harmonia e equilibram-se mutuamente.
Perguntas frequentes sobre a bosta em corno 500
Quando se pulveriza a bosta em corno?
Sobretudo na primavera, no início da vegetação, e no outono, no fim da vegetação, sempre que o solo está quente e húmido, à tarde e ao anoitecer.
Quantas vezes por ano?
O padrão são duas vezes — primavera e outono. Na conversão ou na horticultura também mais vezes, mas cinco aplicações ou mais são consideradas arriscadas.
Com que tempo?
Com céu encoberto, não no calor do meio-dia e não com vento seco ou frio. Não com chuva forte.
Bosta em corno ou sílica em corno primeiro?
Ao longo do ano, a bosta em corno vem primeiro (impulso do solo na primavera); a sílica em corno segue-se uma a duas semanas depois, sobre a cultura em pleno crescimento.
Conclusão
Na bosta em corno, quem decide é o solo: quente e húmido, na primavera e no outono, à tarde ou ao anoitecer. A Lua descendente é uma camada adicional com sentido, mas não um motivo para perder a boa janela do solo. Aplicada com medida e completada pela sílica em corno 501, a bosta em corno é a base do trabalho biodinâmico com os preparados.